terça-feira, 21 de agosto de 2018

UMA SIMPLES, MAS NÃO SIMPLÓRIA ANÁLISE DE UM CIDADÃO





Esta análise que faço, enquanto cidadão, é a mesma que venho fazendo há meses, com relação ao atual quadro político brasileiro, especificamente com relação à eleição presidencial de 2018.
            Tomando por base esta última pesquisa feita pelo IBOPE, onde mostra uma larga vantagem do Lula, e analisando a rejeição real ao Lula, não apenas na internet, como também na sociedade em geral, fica mais do que claro, a intenção de manipulação do eleitor, por parte destes Institutos de pesquisa, bem  como um meio de justificar a manipulação que pode ocorrer no resultado das eleições. Sim, eu não acho impossível que isso aconteça.
            Que fique claro que, sem a intenção de revelar se vou votar em “a” ou “b”, pois não estou querendo, mesmo, pelo menos  por enquanto,manifestar abertamente qual será o  meu voto , embora, enquanto cidadão, na minha página pessoal, eu tenha o direito de fazê-lo, contudo, não é preciso ser um especialista profundo em análise do processo eleitoral, para perceber, como o Jair Bolsonaro está fortíssimo, em todo o território nacional,  não apenas na internet, como, também, no mundo real, nas ruas, avenidas, praças, etc. É só observar a aceitação dele,com relação a qualquer outro candidato.
            Por outro lado, embora saibamos sim, que o Lula é uma figura pública de muito carisma no Brasil, e que, o bolivarianismo implatado pela turma do Foro de São Paulo, executou uma massificação na América Latina, e , figuras tais como, Fidel Castro, Lula, Hugo Chaves, Maduro, Evo Morales, Dirceu, Dilma, Cristina Kirchner , exerceram ( e ainda exercem) forte influência nas massas, contudo, não é possível que Lula tenha tanta aceitação no momento, no Brasil.
É só perceber o fato de que, essa “revolução” e ameaça de colocar o Brasil de “cabeça para baixo”, ou que haveria o caos no país, por causa da prisão do Lula, simplesmente não ocorreu. O que vemos, na prática, é a procissão dos vermelhos, ligados a sindicatos, MST, alguns padres da linha marxista, e outros afins, a custo de ônibus pagos e “pães com mortadela”, com o dinheiro público. Sim, o Lula não parou o país. Não houve, nem invasões de estrangeiros, nem guerras, com a prisão dele. O que houve, simplesmente, foi que, a lei foi cumprida!
É óbvio, portanto, que não faz nenhum sentido, as pesquisas mostrarem uma vantagem tão expressiva do ex presidente, atual presidiário, não “ preso político”, mas sim, político preso, por causa dos crimes que, de fato, cometeu, condenado em duas instâncias, por vários juízes, com sentença confirmada pelo STF, fora o fato de que é réu ainda em outros processos.
Na verdade, não era nem para o TSE ter aceito o registro de candidatura de Lula. Ele é um ficha suja, condenado em segunda instância. Muito menos, era para ele aparecer nas pesquisas eleitorais. Isso é mais do que um circo montado. Na verdade, há um jogo muito sujo por detrás disso, vejamos!
O Brasil está hoje, dominado, ideologicamente, culturalmente e politicamente, por uma elite de esquerda, que não é a maioria da população. Isso é um fato! Esse quadro não foi montado da noite para o dia, foram décadas de massificação, via métodos de educação nas nossas escolas e faculdades, nas artes, nos filmes, nos partidos políticos, enfim, eles não tiveram pressa. Esse processo de massificação começou, antes mesmo deles chegarem ao poder.
            Vale lembrar que, o Brasil quase virou uma Cuba, ou Venezuela e, acreditem, existe  uma porcentagem considerável da nossa elite educacional, dos nossos jornalistas, artistas, e, muitos cléricos romanos progressistas, que torciam para que o Brasil se tornasse socialista, e, como isso não ocorreu, eles aderiram a essa nova “onda” de implantação do marxismo, que está presente em parte da Europa, e bateu a porta dos Estados Unidos, que é o socialismo ou  marxismo cultural. Ele é como uma “evolução” do conhecido socialismo ideológico, penetrado na cultura e no modus vivendi da sociedade. Sim, é esquerda. Sim, é marxista, sim, é contra os valores da sociedade tradicional, portanto, é contra os valores judaico/ cristãos expostos na Bíblia Sagrada, ou, no mínimo, fazem uma releitura da mesma. É complexa, pois, embora, teoricamente pregue contra aexploração do mundo capitalista, contudo, vale-se do “capital capitalista” para difundir-se e manter-se. É o chamado socialismo caviar ou, como gosto de dizer, eles tem uma forma “burguesa” de serem socialistas. Vivem elogiando Cuba e Venezuela, porém as férias são na Disney e na Europa capitalista.
            O maior medo dessa gente, é ver alguém de direita subir ao poder. A primeira coisa que fazem é, ao perceberem que alguém não se encaixa no seu mundo vermelho, logo é taxado de “estrema direita”, e adjetivos afins. Basta não ser de esquerda, para ser t udo o que não presta. Pregam tolerância, mas são violentos e intolerantes com os que pensam diferente.
            Bom, fato é que, independente de analisarmos se Bolsonaro é ou não um bom candidato ao Brasil, fato é que, essa gente sabe que ele tem voto suficiente para chegar ao Palácio do Planalto e, é claro, vão fazer de tudo para impedir tal fato. Acho, sinceramente, que essa manipulação de pesquisa já é parte do jogo. Não sei se para tentar, ainda, a soltura do Lula, ou, o mais provável, fortalecer aquele que será o seu mandatário, ou “ marionete”. Até porque, quem ainda manda no PT, de dentro da cela, é o Lula.
            Se a intenção é fortalecer aquele que, de fato, terá que ser o candidato no lugar do Lula, é possível que seja o Haddad mesmo. Daí podemos perceber, o porque de terem aceito a candidatura do preso, pois a decisão só vai sair, parece que, em setembro. Até lá é muito marketing em torno do nome do Lula. Contudo, se  a intenção é fortalecer toda a esquerda em torno de outro candidato, o nome do Lula, também será forte neste processo. Sendo mais claro. Se a pesquisa aponta que, só o Lula tem quase 40%, então, num suposto segundo turno, qualquer candidato apoiado pelo Lula, segundo este raciocínio, vence o Bolsonaro, que, se existe um pouco de sobriedade neste processo, tudo indica que irá para o segundo turno.
            Concluindo, como, infelizmente, não podemos confiar 100% nestas urnas eletrônicas, é bem possível que, a manipulação de pesquisa, sirva como elemento que possa justificar  um resultado que eles queiram. Para os que acham que não existe manipulação nas pesquisas, é só lembrar do que fizeram nos Estado Unidos. Grande parte da mídia dava como certa a vitória de Hillary Clinton, contudo, como lá, o sistema funciona, e a possibilidade de fraude é muito menor, o resultado, foi, de fato, o que ocorreu nas urnas.
            Tenho, porém, uma notícia não muito animadora para terminar este texto ... parece que, no Brasil, não podemos ter tanta confiança no sistema. Que isso não sirva para o leitor deixar de exercer o seu direito de votar, ao contrário, é aí que tem que votar mesmo. Segundo, cremos, plenamente que Deus está no controle de todas as coisas, sim, o trono não está vazio, e Deus está no comando de todo o universo. Oremos pelo nosso querido Brasil, e, façamos, com ânimo a nossa parte. Que Deus nos dê orientação e direção, nesta hora tão estratégica para o futuro do Brasil.

Um cidadão.


Cláudio César Laurindo da Silva  

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

QUANTO MAIS BÍBLIA MELHOR!





“ Bem aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo” Ap 1: 3.


            Uma das desculpas que a igreja romana medieval dava, para esconder o acesso da Bíblia aos leigos, e aos cristãos em geral, era a de que, somente o clero podia fazer a sua leitura, bem como a sua interpretação. Desta forma, durante séculos, eles manipularam, a leitura e a interpretação das Sagradas Escrituras. Existem vários relatos, de fontes seguras, que comprovam tais fatos. Há, também, vários filmes, que registram tal realidade. Um deles, denominado: “ O nome da Rosa”, denota bem isso. Fato é que, durante toda a Idade Média, a Roma religiosa, perseguia, queimava, ou mandava queimar, quem dela discordasse!
            A Santa Palavra de Deus, que é composta tanto de Antigo Testamento, como de Novo Testamento, foi-nos dada pelo próprio Deus, e, se tivéssemos que atribuir algum mérito humano de sua escrita, seria aos judeus, pois, dos seus mais de 40 autores, somente um não foi um judeu, mas, mesmo assim, sob forte influência do monoteísmo judaico/cristão, que foi o evangelista Lucas. Tirando ele, todos os outros foram judeus!
            Não nos esqueçamos de que, o nosso  Senhor Jesus Cristo, veio, primeiro para os que eram seus, os judeus, como o próprio apóstolo João nos lembra. Jesus, é o messias prometido, da tribo de Judá. É, também, o salvador de toda a humanidade!
            As Sagradas Escrituras foram escritas, dentro de um recorte temporal, que foi de aprox. 1450 a.C. ( considerando a data incerta do livro de Jó) a aprox. 90 d.C. ( quando dos escritos joaninos ).
            O Antigo Testamento foi compilado e organizado por Esdras, no período do retorno do cativeiro babilônico. Esdras reuniu, organizou e leu o texto sagrado ao povo judeu. O que o concílio de Jâmnia, realizada pelos judeus no final do primeiro século, fez, foi autenticar e reconhecer estes livros. O principal critério, foi reconhecer os livros escritos até o período de Esdras, reconhecidos em Jerusalém. Assim sendo, foram reconhecidos os que nós chamamos de 39 livros.
            O Novo Testamento, foi, a princípio, tendo um auto reconhecimento entre os cristãos, ou seja, a igreja ia, aos poucos aceitando ou rejeitando aqueles que eram considerados escritos vindos de fontes seguras, daqueles que eram pseudepígrafes, ou apócrifcos . Fato é que, até mesmo no período dos apóstolos, mesmo que todos os livros não estivessem ainda reunidos, contudo, já havia uma recomendação mútua entre is seus escritores. É só ler as recomendações de Pedro, quanto aos escritos de Paulo, e o reconhecimento de Paulo, à legitimidade apostólica de Pedro. O que o Concílio de Cartago, no 4º século fez, foi reconhecer o que já era aceito pelos cristãos.
            Assim como não foi o Concílio de Jamnia quem nos deu os livros do A.T., mas apenas os reconheceu, da mesma forma, não foi o Concílio de Cartago, quem nos deu os livros do N.T., apenas os reconheceu ( embora alguns sustentem que os apócrifos tenham sido citados, o que não há problemas, pois já estamos num período pós Constantino,onde já havia a influência do latim e a composição da vulgata, que baseou-se na septuaginta, e não nos originais hebraicos, como feito no Concílio de Jamnia). Fato é, também que, nenhuma denominação pode tomar para si, o direito exclusivo sobre a Bíblia Sagrada. Ela não é propriedade exclusiva de nenhuma denominação! Nem mesmo os judeus, que foi o povo que nos fez conhecer o monoteísmo, e foram os escritores dos livros sagrados ( sim, pois, embora fossem cristãos, eram judeus), tomaram tal postura arrogante, antes, eles mesmos reconhecem que as Sagradas Escrituras são um presente de Deus a todos os homens e que, eles estão debaixo das Escrituras e não acima ou superior a elas. Não há nada mais herético do que uma denominação considerar a si mesma, superior às Escrituras!
            A Reforma Protestante ( antecedida pelos pré reformadores séculos antes), veio, de forma benéfica ( mas não completa, confesso), resgatar este conceito neo testamentário, que foi hereticamente sufocado durante séculos pela Roma religiosa, de que todos precisam das Escrituras. Leia-se, traduza-se! Até mesmo os teólogos não cléricos da igreja romana estão compondo suas Bíblias de estudo. Várias versões e anotações têm sido feitas. E querem ficar questionando ou ironizando as Bíblias de estudo dos evangélicos? Desculpe a sinceridade, mas: vão ver se estou na esquina! Agradeçam à Reforma, a popularização das Escrituras e a leitura delas. Agradeçam à Reforma, a própria existência da contra Reforma.
            Sei que, nem todos os que querem se meter a compor uma Bíblia de estudos tem condições, nem teológica, nem de vida, para fazê-lo, mas, quer saber de uma coisa, na grande maioria dos casos ( ou mais de 90% deles), essa gente não é doida de mudar o texto, ou seja, podem até fazer as anotações embaixo, mas não se atrevem a mudar o conteúdo dos livros. Não estou dizendo com isso, que estou de acordo com essa onda de quererem fazer, á torta e à direita, a sua própria Bíblia. O caso da cantora que cismou ou cismaram por ela, de lançar uma Bíblia com sua capa, por exemplo, se é mesmo pela editora Mundo Cristão, eles não estão nem doidos de mexerem nos textos, ou seja, já dá para saber que, o texto vai ser o igual ao de qualquer Bíblia ( só não sei em que versão). Só não veja nessa moça, nenhum histórico que convença, ela fazer comentários interpretativos e/ou doutrinários de nenhuma passagem, ou seja, não saiu nem da “papinha” e será que vai querer omitir opinião de um texto? Tomara que, pelo menos, seja apenas para alguns aspectos devocionais, práticos.
            É claro, dou graças a Deus, que cresci tendo acesso às excelentes Bíblias de estudo do meu pai, que sempre foi e é atualizado neste assunto.
            De qualquer maneira, vale lembrar duas coisas. A primeira, é que, com toda a pompa clérica é teológica que a Roma religiosa tem, durante estes séculos, a cada dia, ela se afunda mais na idolatria e no paganismo e, pior, cada dia troca o texto sagrado por meras tradições humanas. Então, não venham querer julgar a plural interpretação das igrejas evangélicas, que, mesmo na sua pluralidade, estão mais homogêneos com a doutrina essencial, do que a homogênea crescente paganização histórica a que, cada dia afundam-se mais. A segunda, é que, continuo crendo no versículo, em que o próprio Deus afirma que vela pela Sua Palavra. Sim, Deus, que é o autor das Escrituras, vela  por sua Palavra. Jer 1: 12: “ ... eu velo sobre a minha Palavra, para a cumprir” , Mt 24: 35: “ Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras jamais passarão”.
            Concluo afirmando que, queria eu poder dar uma Bíblia a cada cidadão capaz de ler. Sim, que se distribuíssem Bíblias nas escolas, nas avenidas, nas ruas, nos centros urbanos e rurais. Que começassem a ler dos Evangelhos, de preferência o de João. Saibam de uma coisa; está mais próximo de entender um texto sagrado, quem, com coração humilde, implora a Deus a sua real interpretação, ou peça que caia dos olhos as escamas, do que um soberbo teólogo religioso que, ao deixar o mero intelectualismo acadêmico ou clérico subir à cabeça, não acredita mais nas verdades claras ali escritas, como por exemplo, a interpretação clara de que, se existe Deus, também existe o diabo e, se existem anjos, também existem os demônios e, ainda, se existe o céu, também existe o inferno. É forte afirmar, mas, tem muita gente “ culta” teologicamente, que, está fazendo os outros ainda mais presos na idolatria e no paganismo.
            Leia a Bíblia, ela aponta para Jesus, o único salvador, mediador entre Deus e os homens, que morreu pelos nossos pecados, ressuscitou ao terceiro dia, foi assunto ao céu e, breve virá, para buscar a sua Igreja. Só Jesus, segundo a Bíblia, tem essas qualidades, ou adjetivos!
            Sim, leia a Bíblia, pois ela aponta para Jesus. Quanto mais Bíblia, mais Jesus, por isso, quanto mais Bíblia, melhor!

Deus te abençoe, em nome de Jesus!



Pr. Cláudio César Laurindo da Silva 

quinta-feira, 19 de julho de 2018

NÃO É NEM QUESTÃO DE INTERPRETAÇÃO RELIGIOSA, MAS HISTÓRICA MESMO




            O ímpeto desenfreado e a cegueira espiritual de querer impôr a sua religião e achar, soberbamente, que o Estado não pode ser laico ( embora não tenha que ser laicista), faz algumas pessoas cometerem, não apenas erros de interpretação bíblica, mas, também histórica.
            Vale lembrar que, sou cristão evangélico e, tenho por convicção que, Jesus Cristo nos deu a sublime missão de pregar o evangelho a toda criatura. Cremos que, segundo as Escrituras, Jesus Cristo é o único caminho, verdade e vida, portanto, iremos ser proselitistas sim, não por querermos cegamente um quantitativo, mas sim, pela alegria de vermos pessoas serem alcançadas pela graça de Deus.
Contudo, isso de forma alguma pode ser feito por imposição, quer da igreja e, muito menos do Estado. Jesus Cristo mesmo deixou  claro que existe a distinção entre Igreja e Estado: “ Daí pois a César o que é de César e a Deus o que é de Deus” Mt 22:21. Aliás, a Igreja, em si mesma, não é para ser um Estado (país) terreno. Existem inúmeros textos da Bíblia que nos falam disso. Em Fil 3:20,21, Paulo nos afirma que a nossa pátria está nos céus; II Cor 5: 20, está escrito que somos embaixadores de Cristo neste mundo; Jo 17:14, Jesus Cristo disse que não somos desse mundo, assim como Ele também não é. Claro, isso não tira, enquanto indivíduos, a nossa cidadania terrena, incluindo direitos e responsabilidades. O que digo é que a Igreja, enquanto corpo de Cristo na  terra, não é um Estado (país), terreno!
A Igreja, no seu sentido  coletivo, é o subproduto de milhões e milhões de indivíduos que tiveram um encontro pessoal com Jesus Cristo e passaram pelo novo nascimento, que é efetuado pelo Espírito Santo. Sim, o coletivo é a obra feita em cada indivíduo. Não existe, querer dizer que uma cidade inteira, ou um país inteiro tornou-se cristão de verdade, se isso não for a conseqüência da obra realizada em cada indivíduo. Portanto, não se pode decretar, por lei ou força, que um Império, ou Estado seja cristão, se isso não for uma decisão voluntária da pessoa, de entregar a sua vida a  Jesus, e ter os seus pecados perdoados por Ele.
Todos sabemos que, tanto a transformação do Cristianismo em religião oficial do Império Romano, como as cruzadas medievais, que faziam povos inteiros se tornarem cristãos por meio da espada, não surtiram um efeito positivo para o que se pode entender como verdadeira Igreja de Cristo. No caso do Império Romano, abriu-se uma brecha enorme para a influência e intromissão dos imperadores nas decisões do Cristianismo ( quem pesquisa sabe que foi assim), além da perseguição e morte aos que não se “convertiam”.
O Brasil colônia era caracterizado por um forte preconceito religioso, chegando mesmo ao grau de perseguição, para quem não fosse da religião dos colonizadores, como cita Soriano ( 2002, pág. 68) “ O português considerava igual seu aquele que tinha a mesma religião. Não se importava com a raça. O importante, para ele, que o estrangeiro professasse a religião Católica. O não católico era temido como um adversário político, capaz de enfraquecer a estrutura colonial desenvolvida em parceria com a religião Católica.”. Só com a chegada da coroa portuguesa ao Brasil ( 1808), que foi seguida da abertura dos Portos e o tratado comercial ( 1810), por causa dos interesses econômicos de Portugal com a Inglaterra, é que começou a existir, mesmo que limitado, um senso de liberdade religiosa no Brasil. Isso é tanto verdade que, se formos ver as datas das primeiras igrejas evangélicas a chegarem ao Brasil, oficialmente, sem conflitos, são a partir desse período.
Com a independência do Brasil ( 1822), houve a promulgação da Constituição de 1824, que trouxe certa liberdade, porém, ao declarar o catolicismo como religião oficial,  ela impunha sérios limites aos cidadãos que não seguisse a religião oficial, e seguisse outra linha religiosa, como por exemplo, o fato de poderem exercerem a sua fé, desde que não fizessem proselitismo ( conversão de outros), e exercessem a sua fé, somente em sua casa, e nunca fora dos locais de seu culto. Não poderia, por exemplo, fazer um evento publico, na rua.  Leia alguns trechos da Constituição de 1824:
“ A Religião Cathólica Apostólica Romana continuará a ser a Religião do Império. Todas as outras Religiões serão permitidas com seu culto doméstico, ou particular em casas para isso destinadas, sem forma alguma exterior do templo” Art.5.
            Quem não fosse católico, não tinha direitos políticos plenos, pois não poderia candidatar-se a Deputado. Veja:
“ Todos os que podem ser Eleitores, abeis para serem nomeados. Exceptuam-se:

I.Os que não tiverem quatrocentos mil réis de renda líquida, na forma dos Arts. 92 e 94
II. Os estrangeiros naturalisados.
III. Os que não professarem a Religião do Estado.” Art. 95

            Além disso, o Imperador, e os Conselheiros do Império, ao assumirem, deveriam, segundo esta Constituição, prometerem manter a religião Oficial do Estado.
            Dois eventos próximos em suas datas, portanto, dentro de uma mesmo contexto histórico, marcaram a necessidade de uma nova Constiuição. Em 1888 houve a abolição da escravatura e, um ano depois, a Proclamação da República ( 1889). Dois anos depois, em 1891, houve a Promulgação de uma nova Constituição, a primeira que declarava ser o Brasil um Estado Laico, dando, assim, mais direitos aos que não professavam a religião oficial do Estado. Entre idas e vindas de outras Constituições que apareceram, chegamos à Constituição de 1988, que, mantém o Brasil um Estado Laico, e dá plena liberdade de culto a todas as religiões, com proteção do Estado aos seus cultos, tanto internos, como externos. É direito Constitucional, a todas as religiões! Claro, obedecendo às leis da ordem pública!
            Bom, dito isto, é importante lembrar que, existiram aspectos internos em diferentes páises, que influenciaram esta questão de laicidade e regime de Estado.Ou seja, é um enorme equívoco histórico, afirmar que, um determinado regime de governo tenha sido, ou apenas vilão, ou herói no processo democrático. Afirmar, por exemplo, que, a República foi subproduto do protestantismo, e por isso, não representa a democracia, é, além de uma afirmação preconceituosa, um enorme equívoco histórico. Sim, é erro histórico mesmo. Uma pessoa não pode, só porque não gosta da América do Norte, que foi fundada sob uma forte influência religião Protestante, afirmar que a República foi fundada por causa dela, e que, não representa a democracia, defendendo, unicamente a monarquia Católica.Até porque, a República norte americana recebeu influência da revolução francesa, e dos franceses, que, embora tenham proclamado a laicidade do seu Estado, não tornou-se uma nação de maioria Protestante, mas sim, continuou de maioria católica ( claro que, a Noite de São Bartolomeu, no final do séc. XVI, onde milhares de Protestantes hugenotes foram brutalmente assassinados pelo rei Carlos IX, numa monarquia religiosa, onde o que imperava era o clero romano, contribuiu muito para isso).
            É claro que, devemos ter a honestidade de admitir que, mesmo que  professemos uma fé diferente do outro, isso não nos dá o direito de omitir ou de mentir, sobre as qualidades e benefícios que outros grupos possam ter exercidos na construção da sociedade. Isso não é uma questão de doutrina ou de eternidade, é questão de cidadania. Um exemplo disso, é o fato de que, embora eu não concorde com a construção moral e social da cultura greco/romana, nem com o seu politeísmo e seu henoteísmo, contudo, ninguém pode negar os benefícios que esses povos exerceram na construção do mundo ocidental, tanto na área da cultura, como na jurídica. O que falar, então dos judeus! ninguém abençoou tanto o mundo, no aspecto religioso, como este povo. Sim, a cultura judaico/cristã nos deu a herança moral do mundo ocidental cristão!
            Não se pode, portanto, afirmar que, só o sistema x, com sua religião, representa a verdadeira democracia. A América do Norte, que é sim,  um dos mais fortes governos democráticos do planeta, além de ser, ainda, a maior potência econômica, bélica e tecnológica do mundo, é uma República, que foi fundada sob a influência Protestante, mas não significa que teremos que atribuir o regime Republicano ao Protestantismo, até porque, a Inglaterra, que tornou-se Anglicana ( Protestante) não virou uma República, mas sim continuou sendo uma Monarquia, sendo que tornou-se Parlamentarista.             A Polônia, de maioria Católica, é uma República, Parlamentarista. A Suécia, de maioria Protestante, é uma Monarquia, Parlamentarista. A Dinamarca, com grande maioria Protestante, é uma Monarquia parlamentarista.
            Concluo, afirmando que, para defendermos nossas posições, principalmente religiosas, é importante que busquemos o caminho da verdade, da pesquisa isenta ( não tendenciosa), e, mesmo que tenhamos o desejo de ver a nossa profissão de fé, ou nosso segmento religioso crescendo, que o façamos no ímpeto do direito à liberdade de teses e idéias, da liberdade de escolha e, do respeito. Todos têm o direito de exercer a sua fé. O Brasil não é apenas de uma religião! Cada um exerça o seu legítimo proselitismo. Cada um tem o direito de se converter ao que quiser. Eu, como evangélico, vou continuar pregando que Jesus Cristo é o único caminho, verdade e vida. É o salvador de toda a humanidade! É meu direito! Aproveito, para, dentro do meu direito Constitucional, dizer...
Jesus te ama!

Deus te abençoe!

Pr. Cláudio César Laurindo da Silva.