sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

AMOR OU PERDA DE VOZ PROFÉTICA?




Preocupa-me muito o fato de que, muitos evangélicos ( sejam os que afirmam ou os que não afirmam mais ser), têm confundido o amor cristão e a unidade, com ecumenismo religioso ou conivência com o pecado de outras crenças religiosas, claramente condenados na Bíblia. Tenho afirmado durante anos, e continuarei sempre afirmando, sendo isso popular ou não: ESSA PRÁTICA NÃO ESTÁ AJUDANDO NA VERDADEIRA CONVERSÃO DAS PESSOAS, MAS SIM AFUNDANDO-AS NOS SEUS PECADOS.
            O que me impressiona é que, justamente no ano em que comemoramos os 500 anos da Reforma Protestante, quando deveríamos refletir sobre temas como, o retorno aos princípios da Palavra de Deus, percebemos que está havendo um enfraquecimento da voz profética.
            Quero deixar claro que, devemos sempre respeitar as pessoas e suas práticas religiosas. Não se trata de ofender, de denegrir e, muito menos vilipendiar os objetos de culto de ninguém. Isso é crime! Aliás, se tem um povo que sabe o que é ser desrespeitado e perseguido neste país, são os evangélicos. Não é mania de perseguição, é fato histórico mesmo, e bem real ( sei do que estou falando).
            Contudo, o fato de eu amar o próximo e respeitá-lo, não pode me impedir, de, com amor, pregar-lhe a verdade. Pelo contrário, porque  amo, é que devo fazê-lo. Também é importante ressaltar que, dentro do campo das idéias, não há nenhum problema na exposição do contraditório, desde que, não prevaleçam ofensas e calúnias pessoais.
            Isto posto, tenho que tornar público que, está me causando espanto, o fato de muitos líderes do nosso meio estar colocando em seus púlpitos ou palco de shows, pais de santo e padres, dividindo liturgia e mensagens, num verdadeiro culto sincretista, místico e ecumênico. Quero, mais uma vez ressaltar que, tenho o maior respeito, por quem quer que seja, e de qual religião seja. Se vierem na igreja onde pastoreio, serão muito bem recebidos e acolhidos, como já o fiz com uma  líder umbandista que foi convidada, e ela foi tão bem recebida, que saiu impressionada, contudo, ficou sentadinha, assistindo o culto no meio do salão. Jamais a colocaria no púlpito e nem lhe daria o microfone! Da mesma forma, com qualquer outro líder religioso que fosse.
            Repito, não preciso cultuar, fazer orações e nem venerar as mesmas imagens de escultura ou entidades que eles cultuam, para mostrar meu respeito e tolerância religiosa.
            Assim como muitos de nós respeitamos, por exemplo, as testemunhas de Jeová ou os espíritas ( e eu também os respeito e tenho o maior carinho), contudo,por termos claras divergências doutrinárias, não tem como fazermos culto ecumênico  e nem temos como  ceder o púlpito da Igreja para que eles preguem ou cantem na liturgia. Da mesma forma, também, é a minha postura, por exemplo, para com a Igreja Romana. Tenho direito de afirmar isso, com o maior respeito, mas com a coragem que tal postura merece!
            Se formos analisar, por exemplo, o que motivou os reformadores a tomarem a postura que tomaram, há séculos atrás, vamos perceber que, foi muito mais do que uma interpretação teológica da graça, ou a venda de indulgências, como estão afirmando muitos teólogos ecumênicos, sob a liderança do Vaticano.
            Na verdade, os reformadores (principalmente os da segunda geração) posicionaram-se contra temas e dogmas do romanismo, tais como: infalibilidade papal, valor soteriológico nos sacramentos, ao invés da obra vicária de Cristo, tradição da igreja acima das Escrituras Sagradas, veneração e culto às imagens de escultura, intercessão e oração aos mortos ( ou culto aos santos), doutrina do purgatório, os dogmas Marianos, que não encontram base nas Escrituras, dando a ela adjetivos e méritos que a Palavra de Deus dá, apenas a Jesus Cristo.
No caso dos dogmas Marianos, vale lembrar que, na época dos reformadores, nem havia sido, ainda, dogmatizada, por exemplo a “ Imaculada Conceição de Maria”, que dá a ela a qualidade de ter sido concebida sem pecado, ou, segundo outros teólogos católicos, ter sido resgatada no momento da sua concepção, vivendo, portanto, toda a sua vida,sem jamais cometer nenhum pecado ( atributo que a Bíblia dá, somente a Jesus). Tal dogma foi oficializado só no século XIX. E o que dizer da “Assunção de Maria”, que só foi dogmatizada em 1950, e afirma que Maria foi assunto ao céu, e assumiu uma condição de “ Rainha dos céus”, venerada pelos anjos e pela Igreja. Isso, sem falar na doutrina largamente aceita pelos Padres e Bispos, e, segundo o próprio Pe Paulo Ricardo, foi defendida pelo Papa João Paulo II e Bento XVI, que é a doutrina de Maria como Co Redentora. Já houve milhares de pedidos para que seja dogmatizada esta doutrina, e se ainda não foi, é pelo fato de que, vai atrapalhar e muito, a linguagem ecumênica, pois, aí já é demais. É uma heresia mais do que declarada! Embora, boa parte dos padres concordam e, por exemplo o Pe Paulo Ricardo seja um forte defensor desta heresia.
            Enfim, com todo respeito que tenho aos amigos católicos, contudo, tenho a firme convicção de que, depois da Reforma Protestante, a Igreja Romana não abriu mão de nenhuma crença que levou os reformadores a fazerem o que fizeram, pelo contrário, a Igreja de Constantino se aprofundou mais no paganismo e afastou-se ainda mais dos princípios simples e claros da verdadeira Igreja de Cristo, que nasceu, não em Roma, mas em Jerusalém, no dia de Pentecostes.
            Concluo afirmando que, minha melhor maneira de mostrar o meu amor é pregando a verdade, não a minha, mas da Palavra de Deus. Igreja verdadeira para mim, crê que, há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens. Igreja verdadeira não atribui à criatura, atributos que a Bíblia dá somente ao criador, portanto, expressões como: “ me consagro  a ti, toma minha mente e meu coração, a ti elevo minha oração”, dentre outras, se não forem direcionadas a Deus ,além de heresia, também será idolatria. Igreja verdadeira atribui a Jesus, e somente a Ele, o grau de intercessor no céu, junto com o Espírito Santo,o de nosso Advogado, aquele que está assentado à destra de Deus Pai. A Bíblia não fala de Rainha do céu, mas sim de Rei da glória, o Senhor todo poderoso! A nossa querida irmã Maria, mãe de Jesus, segundo a natureza humana, foi uma ilustre mulher de Deus, que cumpriu bem o seu ministério, e tenho certeza de que ela não concordaria com nada disso que foram atribuindo  a ela, com o passar dos séculos.
            Não posso, portanto, concordar que esse ecumenismo venha se desenvolver, de forma que eu cale a minha voz. Minha forma de amar a quem cultua num terreiro, ou faz promessa e culto a um "santo", é dizer que o verdadeiro evangelho de Cristo liberta da idolatria, e que nós podemos e devemos orar diretamente a Deus, na mediação e intercessão de Jesus Cristo. O resto, para mim, é um perigoso ecumenismo e perda de voz profética!
            Claro, podemos até nos unir, em temas sociais ou políticos, em defesa dos valores da vida e da família tradicional. Isso, até o radical Pe católico Paulo Ricardo concorda, ou seja, doutrinariamente ou liturgicamente, não tentem nos unir,porém, nos temas sociais, podemos e devemos ter diálogo, em defesa da família.

            Não tenho receio. Amo, respeito, mas creio que, “Nada podemos contra a verdade...” II Cor 13:8.
            Com amor, em Cristo ...

Pastor evangélico: Cláudio César Laurindo da Silva


PARA PENSAR ...



Penso, logo existo.
Penso, mas tenho a mente de Cristo ( I Cor 2: 16).
Para Descartes, existo por pensar.
Para  a Palavra de Deus, estar em Cristo, é mais do que pensar. É pensar com a mente de Cristo!


Cláudio César Laurindo da Silva 

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

OS HERÓIS DA FÉ




            O que fez com que os heróis da fé tivessem sido o que foram, não foi o fato de se julgarem, nem muito menos de terem sido superiores aos outros. Eles não se ufanavam por serem “mais santos”, e quando alguns deles tentaram isso, foram, de alguma maneira, repreendidos por Deus. A vida de consagração ao Senhor foi sincera e espontânea.
            Sim, tanto os heróis da fé citados na Bíblia ( Hb 11), quanto os que foram de um período posterior, surgidos durante a História da Igreja, foram homens mortais ( redundância proposital), que acertaram, mas também erraram ( uns erraram feio). É importante ressaltar isso, para que não criemos uma expectativa de perfeição neles. É por isso que eu sempre digo que somos “ perfeitamente imperfeitos e, nada mais perfeito do que a nossa imperfeição”.
            Se os próprios heróis citados na Bíblia tiveram seus momentos de humanidade, tais como, Noé, Abraão, Moisés, Samuel, Davi, dentre outros, e se os apóstolos formados diretamente por Cristo, que, mesmo próximo do período da crucificação de Jesus, ainda mantinham algumas dúvidas e incredulidades, é compreensível que, num período posterior a este, os homens e mulheres de Deus também tivessem suas falhas e defeitos.
            O que dizer dos líderes pós-apostólicos, uns acertaram e outros erraram querendo acertar, e outros erraram, errando mesmo. É preciso entender, de uma vez para sempre que, o modelo a ser seguido é o da Igreja do primeiro século e os textos escritos até o final desse período, ou seja, até os escritos joaninos. É claro que, muitos dos chamados pais da Igreja foram verdadeiros homens de Deus, porém, também cometeram equívocos, inclusive de interpretação textual e influência cultural.
            Os pré reformadores acertaram em seus propósitos, porém também ficaram sujeitos ao erro, tanto em algumas ênfases, como em falta de outras, contudo, é inegável o benefício que eles causaram no processo de retorno ao que era o Cristianismo, antes da intensificação do processo de paganização, ocorrido, principalmente a partir do 4º século.
            Os Reformadores, embora tenham sido verdadeiros arautos usados por Deus, contudo, também falharam em algumas coisas. Sim, Lutero falhou, Calvino falhou, Zwinglio falhou, os homens do período pós reforma, por mais que tenhamos uma visão romântica deles, contudo, também falharam. Não seria impossível encontrar falhas em Spurgeon, ou em Wesley, ou, quem sabe em Moody, e por mais que nos espelhemos na vida e pregação de Jonathan Edwards, se algum desavisado fosse “cutucar” a vida dele, certamente também encontraria algo. Sim, Gunnar Vingren, até na vida de Gunnar Vingren, se cutucassem, iriram achar alguma falha.
            A própria Bíblia diz que Elias era homem sujeito às mesmas paixões que nós ( Tg 5:17), sim,  até o modelo dos profetas, que nem pela morte passou, simbolizando os salvos que serão arrebatados vivos, também teve seus momentos de humanidade.
            Esta verdade nos ensina que, ninguém pode se ufanar, tentando diminuir a importância,por exemplo, dos reformadores,na História da Igreja. Eles jamais advogaram para si o grau de “sua santidade”, ao contrário, o que eles fizeram, e de forma acertada, foi elevar a importância da graça de Deus, da fé e das Sagradas Escrituras.
            Nos ensina, também, que, embora eles, os heróis da fé canônicos e pós canônicos, tivessem sido sujeitos às falhas, contudo, não viveram na prática delas, assim como os personagens da Bíblia. Sim, pecaram por acidente e não por prática, estavam, ainda, sujeitos à tentação do pecado, mas não eram escravos do pecado, como deve ser com qualquer cristão, que nasceu de novo em Cristo Jesus. A biografia deles nos mostra isso, ou seja, embora, eles tivessem tido falhas pontuais, todavia, a prática de vida era de busca a Deus e à pregação do Evangelho, com incríveis experiências, muitas delas sobrenaturais.
            Enfim, nos ensina que, o modelo pleno, em quem estes ilustres homens de Deus se espelharam de forma absoluta, foi o nosso Senhor Jesus Cristo; Ele jamais pecou e nunca se achou engano na sua boca ( I Pe 2:22); Ele, em tudo foi tentado, mais sem pecado ( Hb 4:15). Sim, só Jesus teve estas qualidades, segundo a Bíblia Sagrada. Todo herói da fé tem em Jesus o se Herói Mor!
            Portanto, o segredo para compreendermos o sentido de “Heróis da Fé”, não está na palavra “ Heróis”, mas sim, na palavra “ Fé”, não a que eles tiveram neles mesmos, mas em Deus, na sua graça, no seu amor, e na sua soberana vontade!

Pr. Cláudio César Laurindo da Silva